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Arlindo dos 8 Baixos morre aos 72 anos

Pernambuco perdeu no começo da tarde desta quarta (23) Arlindo dos 8 Baixos, 72 anos. O artista de Sirinhaém faleceu no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no bairro dos Coelhos, por volta das 13h30, em decorrência da diabetes. No último mês, o sanfoneiro teve problemas de saúde e ficou internado 18 dias, mas retornou para casa no sábado (12). Após a sessão de hemodiálise, nesta quarta, às 11h30, Arlindo teve duas paradas cardíacas e não resistiu. Ele deixa a esposa, Odete Macedo, e quatro filhos.

Arlindo tinha problemas de diabetes e hipertensão há 40 anos. O sanfoneiro já apresentava um quadro debilitado – perdeu a visão há 15 anos; em 2012, teve as duas pernas amputadas; o rim já não funcionava e o coração estava comprometido em 70%. “Ele fez a hemodiálise normal na última sexta e segunda. Mesmo tomando medicamento há muito tempo, ele aparentava estar bem”, conversou Odete, por telefone.

Grande amigo do sanfoneiro e diretor do filme “Arlindo dos 8 Baixos: o mestre do Beberibe”, Ancelmo Alves, informou que, ainda nesta quarta, será decidido os detalhes do velório e enterro do artista. O corpo será velado na capela do Imip, a pedido do diretor da instituição. Na ocasião, uma homenagem ao artista será feita ainda esta noite. Sobre o enterro, os parentes ainda estão acertando os últimos detalhes. “Ele pediu para deixar Arlindo aqui, mas estamos esperando os meninos (filhos) chegarem para a gente decidir. Não sei se eles querem aqui ou em nossa casa”, comentou Odete.

Mesmo com problemas de saúdes, Arlindo não se deixava abater. “Mesmo sem visão ele continuava tocando a sanfona de oito baixos, era a vida dele”, exaltou Odete. Parceiro de longa data do sanfoneiro, Xico Bizerra compôs a faixa “Pararlindo”, do disco “Dois” (2001) em homenagem ao artista. “Ele tocava oito baixos, um animal em extinção porque ninguém se dispõe a tocar, é muito difícil. Ele era um dos remanescentes na sanfona de oito baixos. Ele ensinava a tocar e afinar”. Os dois escreveram em parceria a música “Chorinho do Sanhaçu”.

Roberto Andrade, produtor de Arlindo, lamenta a morte do artista. “Ele foi muito importante na minha vida. O produzi de 98 até o fim de sua vida. Ele, Mestre Camarão e João Silva eram os únicos patrimônios da sanfona. Arlindo deixou um legado grandioso”. Dono do PassaDisco, Fábio Cabral comenta a perda. “Foi um ano cruel. Carlos Fernando, do frevo; Dominguinhos e agora Arlindo. Três mestres que se foram. O sanfoneiro é o maior dos oito baixos”.

De Sirinhaém, na Mata Sul de Pernambuco, Arlindo teve seu primeiro contato com um oito baixo aos dez anos. O artista tocou por vários anos sanfona de 80 e 120 baixos, mas no final da década de 60, foi aconselhado por Luiz Gonzaga a voltar para os oito baixos. Nos anos 90, ele transformou o quintal de sua casa em um verdadeiro pátio do forró com festejos aos domingos. O produtor Roberto Andrade que as atividades no espaço serão suspensas até o próximo ano.

Lançamento Arlindo completou 50 anos de carreira em 2012. Em comemoração, o CD “No Forró do Mestre Arlindo” será lançado para registrar a data. A previsão é que o trabalho esteja disponível depois do carnaval de 2014. Outras parcerias com o produtor Roberto Andrade são “Forró para 500 anos” (2000) e a coletânea “O Artesão do Forró” (2006).

Fonte: Por Thulio Falcão, do Folha PE.

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