Reflexões Bíblica Religião

A mulher na Bíblia: lutas, superações, realizações e honra

“Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis.”

Provérbios 31.10

Comemorou-se esta semana o Dia Internacional da Mulher. Como sempre, e de modo justificável, diversas reflexões foram feitas sobre o papel da mulher na sociedade.

A Bíblia nos revela a importância e a força da mulher em todas as áreas da vida em sociedade, mas também nos fala de algumas de suas lutas. O termo “mulher virtuosa”

Provérbios 31.10, poderia ser traduzido por “mulher de força, do hebraico esheth hail, conforme também Provérbios 12.4 e Rute 3.11.

Vamos compreender melhor esta realidade, verificando no contexto bíblico alguns exemplos de luta, superação e reconhecimento.

FORÇA PARA VENCER ALGUMAS LIMITAÇÕES CULTURAIS

No Pentateuco (Gênesis a Deuteronômio), as mulheres são quase sempre identificadas por meio dos homens que são seus pais, maridos, filhos, etc. Como exemplo podemos citar:

Sara, Mulher de Abraão (Gn 16), Rebeca, a esposa de Isaac (Gn 25), Tamar, a nora de Judá (Gn 38), Asenate, filha de Potífera e mulher de José (Gn 41), Zípora, filha de Jetro, mulher de Moisés, mãe de Gérson (Êx 2), Eliseba, filha de Aminadabe, mulher de Arão (Ex 6), Miriam, irmã de Arão (Ex 15), Joquebede, a mãe de Moisés (Nm 26).

Nos Livros Históricos (Josué a Ester), além de continuarem sendo identificadas pelos homens, a quem estão ligadas, elas tornam-se anônimas:

A concubina anônima de Gedeão (Jz 8), a filha anônima de Jefté (Jz 11), a esposa anônima de Manuá (Jz 13-14), a esposa anônima de Sansão (Jz 14), a mãe anônima de Mica (Jz 17), a esposa anônima de Finéias (1Sm 4), a serva anônima que salvou Davi (2Sm17), a esposa anônima de Jeroboão (I Rs 14), a viúva anônima de Serepta (1 Rs 17), a Sunamita anônima (2Rs 4), a empregada anônima e a esposa anônima de Naamã (2 Rs 5).

O valor de uma mulher era geralmente associado à sua capacidade de gerar filhos. Quando isto não acontecia, eram rejeitadas pela sociedade (2Sm 6.23, etc.).

Elas só podiam ter um marido (1Sm 25.44), enquanto um homem podia normalmente possuir muitas mulheres (Gn 16; 25; 29; Jz 8.30; 2Sm 1.2; 1Sm 18.27;25.42-43; 2Sm5.13; 1Rs 3.1; 11.3).

As mulheres eram consideradas propriedades dos homens (Nm 31.9; Dt 21.11-13; 1Sm 14.49-50; 2 Sm 3.2-5; 1 Rs 4.11-15; 2Rs 12.2).

A mulher não podia decidir com quem se casaria. A decisão era tomada pelos homens interessados (Jz 14.20; I Sm 25.44; 2Sm 3.15-16). As mulheres eram as maiores vítimas da violência sexual (Gn 34.1-2; Jz 19; 2 Sm13). Uma filha poderia ser vendida como escrava (Ex 21.7).

O pedido de divórcio era exclusividade dos homens (Dt 24.1-4), que segundo as escolas dos Rabinos Akkiba e Hillel, poderia pedi-lo por qualquer motivo, banal que fosse.

No caso de uma mulher ser estéril, poderia ceder uma escrava para dar filhos ao seu marido (Gn 16.1, 2). No caso de um marido estéril, o mesmo não acontecia.

As mulheres só herdavam propriedades e bens dos maridos ou pais, na ausência de um herdeiro masculino (Nm 27.7-8). O voto feito a Deus de uma moça ou de uma mulher casada não tem validade, a não ser pelo consentimento do pai ou do marido, que podem também anulá-lo (Nm 30.4-17).

A mulher viúva, visto que não se encontrava ligada a qualquer homem, era marginalizada pela sociedade (Sl 109.9). Seus filhos, apesar de terem mãe, eram considerados órfãos (Jó 24.9). As mulheres não comiam com os homens, mas ficavam em pé servindo-os à mesa.

Era impróprio para um israelita falar com uma mulher na rua (Jo 4.27). No século II d.C. o Rabi Meir criou a seguinte oração “te agradeço ó Senhor, por não me ter feito um gentio, um escravo, ou uma mulher”.

FORÇA PARA INTERFERIR NA HISTÓRIA BÍBLICA DE MANEIRA DECISIVA

Os preconceitos oriundos de uma cultura exclusivamente patriarcal e por vezes machista, não foram suficientemente capazes de ofuscar as brilhantes intervenções de mulheres, que protagonizaram vários momentos da história do povo de Deus:

Sifrá e Puá, as parteiras corajosas (Êx 1.15-17), Joquebede, fé e objetivos claros (Êx 2.1-10), Raabe, decisão firme e certa (Js 2), Mical, livrando Davi da morte (1Sm 19.11-12), Ester, beleza, inteligência e prudência a serviço do seu povo (Livro de Ester), Ana, confiança e perseverança na oração (I Sm 1.10-18).

FORÇA PARA FAZER A OBRA DE DEUS

As mulheres foram, e continuam sendo usadas por Deus na realização das mais diversas atividades. Temos as profetisas: Miriam (Ex 15.20), Débora (Jz 4.4) e Hulda(2Rs 22.14).

As Musicistas: Miriam (Ex 15.20). As que ocupam funções de liderança: Débora (Jz 4.4-9) e as Intercessoras, firmes na oração: Ana (1Sm 1.27) e Ana (Lc 2.36-37).

FORÇA NO DESEMPENHO DE SUAS TAREFAS COTIDIANAS

No desempenho das tarefas cotidianas e domésticas, essa força é claramente notada, pela maneira como ela cuida dos negócios (Pv 31.13-19, 24), da sua casa (Pv 31.15; 27), dos seus filhos (Pv 31.21, 28), do seu marido (Pv 31.11-12, 23) e de si mesma (Pv 31.22, 25, 26).

A mulher virtuosa, enquanto cuida da estética (aparência) e da autoestima (valor próprio), não descuida de sua essência, de “ser” segundo o espelho da palavra, para que “sendo”, tenha o louvor e o respeito que lhe é devido (1 Pe 3.1-6). Em tempos em que “parecer” vale mais do que “ser”, o cuidado com a beleza interior não deve ser negligenciado pela mulher cristã. A aparência não está acima da essência.

A mulher cristã deve ser respeitada, honrada, amada e cuidada. Deve conquistar o seu espaço, considerando a Bíblia como fonte orientadora de sua vida e conduta.

Reflexões Bíblica – Por Pr. Altair Germano

Veja também essa linda história de uma mulher rejeitada. Clique abaixo:

Jesus e a mulher adúltera 

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3 Replies to “A mulher na Bíblia: lutas, superações, realizações e honra

  1. Ótimo texto! Mesmo numa cultura predominantemente machista, por ser ela patriarcal, os relatos bíblicos foram capaz de mostrar não apenas as lutas dessas heroínas, por reconhecimento e valorização de seu importante trabalho, mas, mostrou também as grandes conquistas alcançadas por elas, e penso eu que ainda virão muitas outras.
    Parabéns as mulheres, todos os dias são seus.

  2. Sob a ótica daquele tempo, o rabino teve até razão de agradecer por não ser mulher. Rsrs
    Ainda bem que veio Jesus, trazendo a visao de Deus.
    Ainda hoje muitos dos costumes descritos aqui, ainda existem, embora camuflado em uma roupagem de modernidade.

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