Por Drauzio Varella –
De tanto ouvir falar, você até já reconhece os sintomas: febre, dor de cabeça, aquela moleza no corpo. É a dengue! Aí, os sintomas começam a passar. Só que isso não quer dizer que o perigo tenha passado. Muito pelo contrário! E agora, doutor?
“Começou sábado. Estou com sete dias”, conta a estudante Valéria Patrícia Feitosa.
“Ele estava sentado e disse: “Mãe, está saindo sangue do meu nariz”. Corri, fui olhar e estava mesmo”, recorda-se a doan-de-casa Evalnete da Cruz.
“O nome dengue hemorrágica nos faz pensar em muito em sangue. O início da dengue hemorrágica é exatamente igual ao dengue clássico, com febre e dor de cabeça”, explica o infectologista Rivaldo Venâncio.
“Quando a gente fala em dengue hemorrágica, as pessoas falam que não podem ter porque não estão perdendo sangue. Mas não é obrigatório perder sangue para classificar como hemorrágica. Você pode ter perda de sangue. Às vezes, a dengue faz vomitar sangue, faz perder sangue nas fezes, qualquer esbarrãozinho fica uma mancha preta, faz aparecer uns pequenos pontinhos pela pele, que são pequenos vazinhos. Mas isso não é obrigatório. A prova é considerada positiva quando aparece mais de 20 desses pontos”, ensina o doutor Drauzio Varella.
“Nós recebemos o exame do José Henrique, sugestivo de dengue hemorrágica”, diz a médica.
“Ele estava com febre, vômito, dor de cabeça, sangrou duas vezes pelo nariz e o corpo todo dolorido. Não se pode tocar nele. Hoje ele já vomitou duas vezes de novo e está assim”, descreve Evalnete.
“Agora, no quinto dia, o que está te incomodando?”, pergunta Drauzio.
“Dor na mão, no braço, as veias do braço, as costas, dói o corpo inteiro”, responde o funileiro João Vareiro.
“E essa vermelhidão que deu no corpo apareceu onde?”.
“Deu uma embaixo do braço, outra na perna, parecia que eu tinha levado uma paulada”.
“Ele está com setenta mil plaquetas, quando o normal é acima de 150 mil”, descreve a médica.
Todos os pacientes com prova do laço positiva devem, obrigatoriamente, fazer um exame de sangue para contagem das plaquetas. Plaquetas são células essenciais para a coagulação do sangue. Os anticorpos que o organismo produz para combater o vírus podem destruir as plaquetas. Uma pessoa saudável tem entre 150 e 450 mil plaquetas. Na dengue hemorrágica esse número cai e pode ficar abaixo de 20 mil, nível perigoso, com risco de sangramento.
A gente chama de dengue hemorrágica essa situação em que os vasos sanguíneos se dilatam.
“O Zilmar tem dengue hemorrágica. Além dos sinais clássicos de dengue, febre, dor de cabeça, dor no corpo, ele tinha vômito de repetição e teve uma prova do laço positiva. Isso nos dá uma grande convicção de que ele tenha o que nós chamamos de dengue hemorrágico”, afirma a infectologista Dorcas Lamounier.
“Isso confunde muito, porque às vezes a pessoa que tem qualquer sangramento, acha que é dengue hemorrágica. Pode ter o sangramento nasal e não ser dengue hemorrágica”, comenta Drauzio.
“Essa é uma confusão muito freqüente que os médicos fazem, porque existe o dengue hemorrágico sem hemorragia, como o Zilmar, que não relatou nenhuma hemorragia, e pode existir a dengue não hemorrágico, que vem com a hemorragia, porque não tem os sinais de alerta”, esclarece Dorcas.
Fonte: G1




