Por Jailton Lima
Em 27 de outubro de 2024, a chapa formada por Severino Ramos (PSDB) e Felipe Andrade (PSD) conquistou uma vitória histórica nas eleições municipais de Paulista. Ramos obteve 73,36% dos votos válidos, totalizando 120.228 votos, a maior votação já registrada na história do município. A expectativa era de que esta aliança trouxesse uma nova era para a cidade, marcada por investimentos em infraestrutura, saúde, educação e turismo.
Felipe Andrade, empresário ligado ao turismo e ex-gestor do Veneza Water Park, assumiu o cargo de vice-prefeito com o apelido político de “Felipe do Veneza”. Durante a campanha, prometeu foco no equilíbrio fiscal e no aprimoramento da gestão municipal. A posse ocorreu em 1º de janeiro de 2025, em clima de união e otimismo. Ramos e Felipe discursaram enfatizando a participação cidadã e o compromisso com a população.
Primeiros sinais de desgaste
Apesar do discurso de harmonia, logo surgiram sinais de desgaste na relação entre prefeito e vice. Em meados de 2025, Felipe Andrade começou a declarar publicamente insatisfação com a gestão de Ramos. Ele denunciou “boicote” e “perseguição”, afirmando que suas solicitações e demandas eram sistematicamente ignoradas.
Em vídeo divulgado nas redes sociais em setembro de 2025, o vice afirmou: “Já não atendem, já boicotam, já mandam não atender o que eu peço… então fica inviável.” Ele ainda alertou que, caso sua equipe fosse prejudicada, estaria disposto a revelar publicamente todas as irregularidades que constatasse.
Analistas políticos locais observam que esse afastamento não é apenas simbólico: Felipe estaria sendo alijado das decisões mais importantes da Prefeitura, apesar de ter coordenado a transição de governo. Isso gerou preocupação sobre o futuro da administração e da governabilidade municipal.
O racha se torna visível
Um dos episódios que evidenciou a crise ocorreu durante a inauguração de um Centro Municipal de Educação Infantil (Cemedi), no bairro da Aurora. A placa de inauguração não mencionou o vice-prefeito, exibindo apenas o nome do prefeito e do secretário de Educação. Tal atitude reforçou a percepção de que Felipe estaria sendo desconsiderado dentro da própria gestão que ajudou a conquistar.
Além disso, há relatos de que decisões estratégicas passaram a ser centralizadas em um grupo restrito de confiança de Ramos, excluindo completamente o vice. Isso afeta a coesão da equipe e compromete a execução de políticas públicas.
Consequências para a gestão e a população
O desgaste público entre prefeito e vice tem implicações concretas para a administração municipal e para a população. Especialistas em gestão pública destacam que a marginalização de um vice eleito pode gerar lentidão na execução de projetos, falta de coordenação administrativa e um clima de insegurança entre servidores.
As áreas mais afetadas incluem saúde, educação, saneamento e infraestrutura urbana. Enquanto a crise se aprofunda, moradores relatam atrasos em obras e serviços essenciais, além de sinais de desorganização administrativa e priorização de ações de impacto midiático em detrimento de políticas estruturais.
O cenário político e os riscos futuros
O racha entre Ramos e Felipe Andrade não é apenas um conflito de egos; ele evidencia fragilidade institucional e risco à governabilidade. A oposição tem acompanhado atentamente os desdobramentos, considerando a crise uma oportunidade de fortalecer sua base e questionar a administração.
Entre os possíveis desdobramentos, destacam-se:
•Reconciliação: uma tentativa de realinhamento e redefinição de papéis dentro da gestão, com reintegração do vice nas decisões estratégicas.
•Ruptura formal: Felipe Andrade poderia romper definitivamente com o governo, migrando seu apoio político para outros grupos, enfraquecendo a base de Ramos.
•Paralisia administrativa: a crise interna poderia comprometer projetos e atrasar investimentos essenciais.
•Oportunidade para a oposição: o desgaste público da gestão favorece críticas e mobilização de outros partidos e lideranças municipais.
Declarações e repercussão
Felipe Andrade mantém postura firme sobre seu afastamento, ameaçando expor publicamente decisões questionáveis da gestão. Ramos, por sua vez, teria confiado a execução de políticas a um grupo restrito, isolando o vice.
A mídia local tem acompanhado o caso, classificando a crise como “escancarada” e alertando sobre os riscos de governabilidade para a cidade. A população acompanha de perto, preocupada com a qualidade dos serviços públicos e a estabilidade política de Paulista.
Considerações finais
O racha político entre prefeito e vice em Paulista-PE revela muito mais do que um desentendimento pessoal: é um alerta sobre fragilidade institucional, risco à governabilidade e impacto direto na vida dos cidadãos. Enquanto a disputa de poder se intensifica, a cidade observa atentamente os próximos passos da administração, consciente de que o maior prejudicado pode ser o próprio município.



